Grupo III

As redes sociais como Nova Esfera Pública: contributos e limites no contexto moçambicano: contributos e limites no contexto Moçambicano

As redes sociais como Nova Esfera Pública: contributos e limites no contexto moçambicano

Autora: Sásquia Madalena Zandamela

 

 

O presente artigo analisa o papel das redes sociais enquanto potenciais novas esferas públicas, tendo como referência teórica o conceito clássico de esfera pública desenvolvido por Jürgen Habermas (1984/2003) e as reflexões contemporâneas de Gomes (2016) e de Gadini e Morais (2014). A questão central que orienta o estudo é: será que as redes sociais contribuem para democratizar o debate político em Moçambique ou apenas criam uma ilusão de participação?

O trabalho adopta uma abordagem qualitativa e analítica, baseada em revisão teórica e em exemplos empíricos recentes do contexto moçambicano, nomeadamente as eleições gerais de 2024, a propagação de desinformação nas redes digitais e movimentos cívicos como Somos Cabo Delgado e a campanha #CaboDelgadoTambémÉMoçambique.

Os resultados da análise revelam uma realidade ambivalente. Por um lado, as redes sociais ampliam a participação política, especialmente entre os jovens, promovem a visibilidade de vozes historicamente marginalizadas e possibilitam novas formas de mobilização social e de escrutínio da governação. Como observa Macane e Vasco (2022), o uso da internet e das redes sociais tem impulsionado a cidadania activa em Moçambique, sobretudo ao aproximar os cidadãos da vida política. De forma complementar, Tsandzana (2018) sublinha que “o uso das redes sociais por jovens urbanos em Moçambique mostra potencial de engajamento político, ainda que limitado pelo acesso desigual à internet” (p. 15).

Por outro lado, constatam-se limitações significativas: a proliferação de desinformação, a formação de bolhas informativas e a fragilização das instituições jornalísticas comprometem a qualidade da deliberação pública. O IMS (2023) aponta que “o ambiente mediático moçambicano enfrenta desafios significativos de desinformação e fragmentação do debate público” (p. 12), o que agrava as fragilidades institucionais já existentes. Além disso, a lógica algorítmica e o controlo dos dados por empresas privadas globais introduzem novas formas de desigualdade e exclusão, questionando o carácter verdadeiramente democrático desses espaços (Gomes, 2016).

A discussão sugere que as redes sociais em Moçambique configuram uma esfera pública híbrida, simultaneamente inclusiva e fragmentada, democratizante e manipulável. Este estudo conclui que, embora tais plataformas possuam potencial para fortalecer a participação democrática, elas não garantem, por si só, a racionalidade comunicativa que Habermas (1984/2003) considerava essencial para a vitalidade do espaço público. Assim, defende-se a necessidade de políticas públicas que promovam literacia digital, mecanismos regulatórios equilibrados e o fortalecimento do jornalismo profissional como mediador credível do debate político.

Palavras-chave: esfera pública; redes sociais; Moçambique; debate político; democracia digital.

 

Introdução

O debate em torno da esfera pública e do papel dos media na sua formação remonta às formulações de Jürgen Habermas (1984), que definiu a esfera pública como um espaço de deliberação racional, separado do Estado e do mercado, no qual os cidadãos podem discutir livremente assuntos de interesse colectivo. Este conceito, ainda que pensado no contexto europeu do século XVIII e XIX, continua a ser uma referência fundamental para compreender as transformações comunicacionais da contemporaneidade.

Com o avanço das tecnologias digitais e a expansão das redes sociais, a dinâmica da esfera pública sofreu alterações profundas. Plataformas como Facebook, WhatsApp, X (antigo Twitter) e Instagram não apenas funcionam como canais de informação, mas tornaram-se arenas de disputa simbólica, construção de identidades e mobilização política. Gadini & Morais (2014) destacam que a cultura da convergência introduziu uma nova lógica de circulação de discursos, na qual o público deixa de ser apenas receptor e passa a intervir directamente na produção e disseminação de conteúdos. Já Gomes (2016) sublinha que vivemos num contexto de midiatização, em que os media não apenas refletem, mas moldam a realidade social, política e cultural.

No caso moçambicano, esta discussão adquire especial relevância. Nas últimas duas décadas, registou-se um crescimento exponencial do acesso à internet e à telefonia móvel, fenómeno que abriu espaço para a emergência de novas formas de participação política e cidadã. As redes sociais passaram a desempenhar um papel importante em momentos de mobilização social, como nas eleições, em protestos urbanos ou em debates sobre políticas públicas. Estas plataformas são vistas por muitos como uma oportunidade de democratização do espaço público, permitindo que vozes antes marginalizadas tenham maior visibilidade.

No entanto, surgem também questões críticas: até que ponto as redes sociais ampliam, de facto, a deliberação pública? A circulação de fake news, a criação de bolhas de filtro, a intensificação da polarização e a fragilização do jornalismo profissional indicam que este “novo espaço público digital” pode estar marcado por dinâmicas de exclusão e manipulação. Além disso, em sociedades com níveis ainda baixos de literacia digital, como é o caso de Moçambique, o risco de que a participação online se transforme numa ilusão de cidadania activa é significativo.

Deste modo, a questão que orienta este artigo é: será que as redes sociais ajudam realmente a democratizar o debate político em Moçambique ou apenas criam uma ilusão de participação? A partir desta interrogação, pretende-se analisar as redes sociais como potenciais novas esferas públicas, explorando tanto as suas potencialidades como os seus limites, à luz do quadro teórico proposto por Habermas (1984), Gadini & Morais (2014) e Gomes (2016).

 

A esfera pública clássica e a transformação digital

Discussão Teórica

A reflexão sobre a esfera pública inicia-se com o contributo seminal de Jürgen Habermas (1984/2003), que a definiu como um espaço de debate racional e inclusivo, no qual os cidadãos participam em condições de relativa igualdade, discutindo assuntos de interesse colectivo, fora das pressões directas do Estado e do mercado. Para Habermas, este espaço emergiu historicamente na Europa burguesa dos séculos XVIII e XIX, com a difusão dos jornais, dos cafés e dos salões literários, funcionando como instâncias de mediação entre a sociedade civil e o poder político. A proposta habermasiana enfatiza a centralidade da racionalidade comunicativa e da deliberação informada para a consolidação da democracia, sendo esta caracterizada pela troca de argumentos sustentados e pela busca de consensos racionais.

Contudo, as transformações tecnológicas e comunicacionais contemporâneas desafiaram esta concepção clássica. Na cultura digital, a esfera pública deixa de ser um espaço homogéneo e relativamente controlado para se tornar uma arena fragmentada, fluida e marcada por novas formas de circulação da informação. Gadini e Morais (2014) sublinham que a cultura da convergência possibilitou que os cidadãos se tornassem simultaneamente produtores e consumidores de conteúdos, questionando a separação rígida entre emissores e receptores. Essa alteração desloca o foco da esfera pública tradicional para um espaço digital interactivo e descentralizado, em que vozes historicamente marginalizadas passam a ter maior visibilidade e capacidade de mobilização.

Por sua vez, Gomes (2016) argumenta que a midiatização constitui um conceito-chave para compreender estas transformações. A midiatização descreve a forma como os media, em especial os digitais, não apenas mediam, mas estruturam e condicionam práticas sociais, políticas e culturais. Nesta perspectiva, as redes sociais não podem ser vistas como instrumentos neutros de comunicação: a sua lógica algorítmica, os mecanismos de recomendação e o modelo económico baseado na atenção moldam activamente a deliberação pública e influenciam os temas que ganham visibilidade ou desaparecem do debate. Assim, a visibilidade pública passa a depender não apenas da força do argumento ou da relevância social do tema, mas também de critérios técnicos e comerciais definidos por corporações globais.

Ao dialogar com estes autores, percebe-se que a noção de esfera pública deve ser repensada em termos de hibridização: uma combinação entre elementos da deliberação racional habermasiana e as dinâmicas comunicacionais próprias da era digital. Enquanto Habermas (1984/2003) valoriza a racionalidade e a argumentação informada como fundamentos da democracia, Gadini e Morais (2014) chamam atenção para a pluralidade de vozes emergentes da convergência cultural, e Gomes (2016) problematiza o papel estruturante dos media digitais, que introduzem assimetrias invisíveis na circulação de discursos.

No caso de Moçambique, esta discussão ganha relevância particular. A expansão do acesso às redes sociais trouxe novas oportunidades de participação cívica e política, sobretudo entre os jovens, mas também novos riscos. Tsandzana (2018) demonstra que “o uso das redes sociais por jovens urbanos em Moçambique mostra potencial de engajamento político, ainda que limitado pelo acesso desigual à internet” (p. 15), o que sugere que a esfera pública digital moçambicana é marcada por desigualdades de acesso e por uma participação ainda restrita a determinados segmentos sociais. Ao mesmo tempo, a lógica algorítmica referida por Gomes (2016) reforça a tendência para a formação de bolhas informativas, limitando a diversidade de perspectivas a que os cidadãos estão expostos.

Deste modo, ainda que as redes sociais permitam a amplificação de vozes antes excluídas, como destacam Gadini e Morais (2014), essa amplificação ocorre num ambiente vulnerável à desinformação e à polarização política, factores já evidenciados por relatórios recentes do IMS (2023). Assim, a teoria sugere que as redes sociais podem, de facto, constituir uma nova esfera pública, mas apenas se forem acompanhadas por mecanismos de regulação democrática, políticas de literacia digital e fortalecimento do jornalismo profissional. Caso contrário, correm o risco de produzir apenas uma simulação de participação democrática, sem assegurar os pressupostos de deliberação racional que Habermas considerava essenciais para a vitalidade do espaço público.

 

Redes sociais e debate político em Moçambique

O crescimento do uso das redes sociais em Moçambique tem vindo a reconfigurar as formas de participação política, sobretudo entre os jovens. De acordo com dados de Tsandzana (2018), o número de utilizadores de internet e redes sociais cresceu de forma exponencial na última década, concentrando-se principalmente em zonas urbanas e em faixas etárias mais jovens. Esta realidade evidencia uma expansão significativa do espaço digital como arena pública, embora marcada por desigualdades de acesso entre áreas urbanas e rurais. Como destaca o autor, “o uso das redes sociais por jovens urbanos em Moçambique mostra potencial de engajamento político, ainda que limitado pelo acesso desigual à internet” (Tsandzana, 2018, p. 15).

Durante os processos eleitorais, estas plataformas desempenharam um papel relevante na mobilização política e no escrutínio da governação. Tsandzana (2019) demonstra que iniciativas digitais como a plataforma Txeka permitiram que cidadãos acompanhassem e monitorassem as eleições, reforçando a transparência e contribuindo para uma maior vigilância do processo eleitoral. A digitalização do debate político não apenas aproximou os cidadãos das instituições, como também abriu espaço para novas formas de fiscalização e denúncia pública.

Paralelamente, as redes sociais tornaram-se também ferramentas estratégicas de comunicação política. De acordo com um estudo disponível no ResearchGate (2023), “memes, hashtags e screenshots tornaram-se ferramentas centrais de mobilização e comunicação política nas eleições municipais” (p. 8). Estas práticas digitais revelam a criatividade e a adaptabilidade dos partidos e movimentos cívicos na construção de narrativas políticas em ambientes digitais. A circulação de conteúdos visuais rápidos e partilháveis facilitou a mobilização, sobretudo entre jovens, que tendem a consumir e interagir mais intensamente com formatos curtos e multimediáticos.

Contudo, o impacto das redes sociais no debate público moçambicano é ambivalente. Por um lado, abrem espaço à cidadania activa e ao escrutínio das autoridades; por outro, expõem o país a riscos significativos de desinformação e manipulação. O IMS (2023) observa que “o ambiente mediático moçambicano enfrenta desafios significativos de desinformação e fragmentação do debate público” (p. 12), sendo estes fenómenos particularmente intensos em períodos eleitorais. Acresce que a baixa literacia digital dificulta a capacidade crítica dos utilizadores para distinguir conteúdos credíveis de notícias falsas, o que amplia a vulnerabilidade da esfera pública digital.

A fragilidade institucional reforça estes problemas. Relatórios internacionais, como o da Freedom House (2023), alertam que a liberdade de imprensa em Moçambique continua a enfrentar restrições significativas, o que compromete a função mediadora do jornalismo profissional no espaço público. Do mesmo modo, a UNESCO (2022) sublinha que a ausência de políticas robustas de educação mediática e digital limita a participação informada dos cidadãos, potenciando a proliferação de discursos polarizadores e de práticas de manipulação algorítmica.

Em contextos de crise, contudo, as redes sociais têm-se revelado espaços fundamentais de mobilização cívica. Movimentos como Somos Cabo Delgado e campanhas como #CaboDelgadoTambémÉMoçambique utilizaram o Facebook e o WhatsApp para articular solidariedade, recolher apoios humanitários e exigir maior atenção mediática e institucional para a violência na província. Estes casos confirmam que, apesar dos riscos, o espaço digital pode potenciar a visibilidade de causas negligenciadas e contribuir para o fortalecimento de uma esfera pública plural.

Em síntese, os dados académicos e institucionais sugerem que as redes sociais em Moçambique funcionam como uma “faca de dois gumes”: de um lado, ampliam a participação, a fiscalização e a mobilização; de outro, fragilizam a qualidade da deliberação pública devido à desinformação, à polarização e à dependência de plataformas globais. Esta realidade confirma a necessidade de enquadrar teoricamente o fenómeno como uma esfera pública híbrida, simultaneamente inclusiva e vulnerável, exigindo políticas públicas de regulação equilibrada e investimentos sérios em literacia digital.

 

A análise da esfera pública digital em Moçambique permite compreender a coexistência de potencialidades e fragilidades no uso das redes sociais como espaços de deliberação política. À luz da teoria clássica de Habermas (1962), a esfera pública deveria configurar-se como um espaço racional-crítico de debate inclusivo, no qual os cidadãos, em pé de igualdade, discutem temas de interesse comum. Contudo, o caso moçambicano evidencia que a digitalização reconfigura esse modelo de forma paradoxal: se, por um lado, amplia vozes e participação, por outro, introduz vulnerabilidades associadas ao acesso desigual, à desinformação e à fragilidade institucional.

O crescimento da participação política juvenil online é um dos fenómenos mais relevantes. Tsandzana (2018, 2019) demonstra que os jovens urbanos utilizam o Facebook, Twitter e WhatsApp como espaços de engajamento cívico, especialmente em períodos eleitorais. Estas práticas confirmam que as redes sociais funcionam como arenas de expressão política, desafiando a tradicional centralidade dos meios de comunicação de massa controlados pelo Estado. Contudo, essa participação não é homogénea nem universal: as desigualdades de acesso à internet excluem grande parte da população rural, criando uma esfera pública fragmentada e elitizada.

Outro elemento central é a criatividade digital no debate político. Estudos recentes (ResearchGate, 2023) indicam que “memes, hashtags e screenshots tornaram-se ferramentas centrais de mobilização e comunicação política nas eleições municipais” (p. 8). Esta apropriação cultural das plataformas digitais reforça o carácter híbrido da esfera pública contemporânea, onde o humor, a sátira e a viralidade substituem frequentemente o argumento racional-crítico idealizado por Habermas. Embora tal prática democratize a produção de sentidos políticos, coloca em causa a qualidade deliberativa do debate, dado que a circulação rápida de conteúdos nem sempre privilegia a veracidade ou a profundidade.

A desinformação emerge, assim, como um dos maiores desafios. Relatórios do IMS (2023) e da UNESCO (2022) convergem ao sublinhar que a baixa literacia mediática em Moçambique aumenta a vulnerabilidade dos cidadãos perante notícias falsas e campanhas de manipulação, sobretudo em períodos eleitorais. Neste contexto, a esfera pública digital pode ser instrumentalizada como mecanismo de polarização e de erosão da confiança pública. A ausência de mecanismos institucionais eficazes de regulação e educação digital fragiliza ainda mais o debate, reduzindo a sua capacidade de contribuir para a consolidação democrática.

A dimensão institucional é igualmente determinante. De acordo com a Freedom House (2023), Moçambique continua a enfrentar restrições à liberdade de imprensa e episódios de intimidação a jornalistas, o que compromete a mediação entre informação profissional e conteúdos digitais. A debilidade das instituições públicas, ao não garantir um ambiente de comunicação livre e seguro, fragiliza a credibilidade da esfera pública e limita o papel das redes sociais enquanto instrumentos de responsabilização do poder.

No entanto, apesar destas limitações, há exemplos claros de mobilização cívica positiva. Movimentos como Somos Cabo Delgado e campanhas digitais de solidariedade mostraram que as redes sociais podem ampliar causas invisibilizadas e pressionar instituições nacionais e internacionais a agir. Nestes casos, as plataformas digitais aproximaram-se do ideal habermasiano de uma esfera pública crítica, ainda que mediada por novos formatos comunicacionais.

Em síntese, a discussão revela que a esfera pública digital em Moçambique não substitui a esfera pública clássica, mas a reconfigura num cenário de tensões: entre inclusão e exclusão, entre deliberação e desinformação, entre criatividade cívica e manipulação política. A compreensão deste processo exige reconhecer as especificidades do contexto moçambicano marcado por desigualdades sociais, fragilidade institucional e dependência de plataformas digitais globais  e, simultaneamente, apontar caminhos para fortalecer o papel das redes sociais como espaços democráticos.

 

A análise da esfera pública digital em Moçambique evidencia um campo em transformação, onde coexistem possibilidades de democratização e riscos de fragilidade institucional. As redes sociais abriram espaço para novas formas de engajamento cívico, sobretudo entre a juventude urbana, que encontrou no ambiente digital um canal alternativo de expressão e de contestação política (Tsandzana, 2018, 2019). A criatividade manifestada através de memes, hashtags e campanhas virais demonstra a capacidade dos cidadãos de reinventar práticas de participação, adaptando a esfera pública às lógicas culturais contemporâneas.

Contudo, este processo não está isento de tensões. A exclusão digital mantém vastos segmentos da população à margem do debate político online, o que produz uma esfera pública fragmentada e elitizada. A desinformação, amplificada pela baixa literacia mediática, ameaça a qualidade deliberativa e abre espaço para campanhas de manipulação. Acresce a fragilidade institucional, que compromete a liberdade de imprensa e a segurança de jornalistas, fatores que limitam a mediação crítica entre informação verificada e conteúdos digitais.

À luz da teoria habermasiana, pode concluir-se que a esfera pública digital moçambicana não reproduz o ideal normativo de um espaço racional-crítico inclusivo, mas sim uma versão híbrida, marcada por dinâmicas contraditórias. A sua relevância política é inegável, sobretudo em momentos eleitorais e de crise social, mas a sua eficácia democrática depende da criação de condições estruturais e institucionais mais sólidas.

Assim, reforçar o papel das redes sociais na democracia moçambicana exige:

  1. Investimento em literacia digital e mediática, para capacitar os cidadãos a distinguir informação verificada de desinformação.
  2. Políticas públicas de inclusão digital, que ampliem o acesso à internet em áreas rurais e reduzam a desigualdade no uso das tecnologias.
  3. Proteção da liberdade de imprensa e dos jornalistas, enquanto mediadores indispensáveis de informação de qualidade.
  4. Promoção de mecanismos de regulação democrática, que responsabilizem

plataformas digitais sem comprometer a liberdade de expressão.

Em última instância, o futuro da esfera pública digital em Moçambique dependerá da capacidade de articular inovação tecnológica, participação cidadã e fortalecimento institucional. Só assim será possível transformar a promessa de democratização trazida pelas redes sociais em contributo efetivo para a consolidação da democracia no país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

Freedom House. (2023). Freedom in the World 2023: Mozambique. Freedom House. https://freedomhouse.org

IMS – International Media Support. (2023). Relatório sobre desinformação e integridade informacional em Moçambique. IMS. https://www.mediasupport.org

ResearchGate. (2023). Juventude, redes sociais e participação política em Moçambique. Disponível em https://www.researchgate.net

Tsandzana, D. (2018). As redes sociais e a política em Moçambique: O caso do Facebook. Revista Electrónica Internacional de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación, 20(1), 45–62.

Tsandzana, D. (2019). Facebook e participação política em Moçambique: Entre o ativismo digital e a exclusão social. African Journalism Studies, 40(2), 123–139.

UNESCO. (2022). Media and Information Literacy: Building Resilience to Disinformation in Africa. UNESCO. https://www.unesco.org

 

 

Boa tarde, prezados,

Espero que este e-mail vos encontre bem.

Venho, por este meio, relembrar a importância do envio da informação necessária para a compilação do relatório/balanço dos resultados obtidos na FACIM.

Conforme acordado na reunião desta manhã, devem ser considerados, entre outros, os seguintes aspetos:

  • As expectativas e resultados alcançados;
  • As questões mais frequentes colocadas pelos visitantes;
  • Os produtos mais solicitados.

Agradecemos, desde já, a vossa colaboração.

Com os melhores cumprimentos,

Anteriormente, referi que Moçambique não possui um sistema de medição de audiência estruturado e transparente como em outros países, o que é parcialmente verdadeiro, sobretudo no que toca a:

 

– Falta de acesso público aos dados

– Cobertura nacional limitada

– Ausência de um organismo regulador independente que centralize os dados de audiência (como o Kantar IBOPE no Brasil, por exemplo)

 

No entanto, a Ipsos Moçambique de facto implementa soluções como a MediaCell, mas:

– O uso é limitado, normalmente feito por clientes específicos (como canais, agências e anunciantes);

– Os dados não são amplamente divulgados nem acessíveis ao público em geral;

– E há restrições na amostra, o que pode afetar a representatividade nacional.

 

Portanto, existe tecnologia disponível, mas o mercado ainda não tem uma estrutura robusta e aberta de medição como noutras regiões. A tua pergunta expõe um ponto válido, e agradeço por teres voltado ao tema. Anteriormente, referi que Moçambique não possui um sistema de medição de audiência estruturado e transparente como em outros países, o que é parcialmente verdadeiro, sobretudo no que toca a:

 

– Falta de acesso público aos dados

– Cobertura nacional limitada

– Ausência de um organismo regulador independente que centralize os dados de audiência (como o Kantar IBOPE no Brasil, por exemplo)

 

No entanto, a Ipsos Moçambique de facto implementa soluções como a MediaCell, mas:

– O uso é limitado, normalmente feito por clientes específicos (como canais, agências e anunciantes);

– Os dados não são amplamente divulgados nem acessíveis ao público em geral;

– E há restrições na amostra, o que pode afetar a representatividade nacional.

 

Portanto, existe tecnologia disponível, mas o mercado ainda não tem uma estrutura robusta e aberta de medição como noutras regiões. A tua pergunta expõe um ponto válido, e agradeço por teres voltado ao tema.

One thought on “As redes sociais como Nova Esfera Pública: contributos e limites no contexto moçambicano: contributos e limites no contexto Moçambicano

  • angela2

    O artigo faz referência a conceitos clássicos e contemporâneos, oferecendo uma visão crítica do potencial e das limitações das redes sociais como arenas de debate político em Moçambique, reforçando a necessidade de literacia digital, regulação equilibrada e fortalecimento institucional para consolidar uma esfera pública digital saudável. O artigo evidencia, de forma clara, tanto o potencial democratizante das redes sociais quanto os desafios associados, tornando-se um contributo relevante e actualizado para o estudo da democracia digital em Moçambique. Parabéns Sásquia, apenas sugiro que reveja o conteúdo do artigo, para que exclua alguns conceitos extras.

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